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Planejamento Técnicas de Inteligência Ataque EUA à Venezuela

Técnicas de Inteligência utilizadas na Operação EUA na Venezuela

  • 26 fevereiro, 2026

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, veículos de mídia internacionais e brasileiros relataram uma operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, sob o codinome Operação Resolução Absoluta, que resultou na captura de Nicolas Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, seguida de transferência para os EUA. As reportagens descrevem ataques iniciais em pontos estratégicos, entrada em um local fortificado e uma fase de extração rápida. Para o sucesso dessa operação, diversas técnicas de inteligência foram colocadas em prática.

Este texto não tem como objetivo revelar informação classificada. A proposta é identificar, a partir do que foi publicado por mídias de grande abrangência e histórico de coberturas jornalísticas, e por notas oficiais emitidas por entidades como a Organização das nações Unidas, quais técnicas de inteligência são mais compatíveis com uma operação dessa envergadura.

Para esta análise, o critério adotado foi: separar fato reportado de inferência prudente, deixando claro o que é confirmação e o que é leitura analítica. As técnicas de inteligência descritas abaixo fazem parte deste trabalho de análise, baseado na expertise do Instituto Cátedra no universo da Inteligência.

Técnica de Inteligência 1 – Targeting e Planejamento Orientado ao Alvo (Ciclo de Inteligência + Ensaios)

A Reuters descreveu que tropas de elite treinaram a missão por meses e chegaram a construir uma réplica do local-alvo para ensaiar a entrada e a captura. Quando uma operação envolve alto risco e janela curta, esse tipo de preparo indica um ciclo de inteligência completo: coleta, análise, definição de cursos de ação, ensaio e execução.

A réplica do ambiente serve para reduzir incertezas:

  • medir tempos
  • testar rotas de acesso e escape
  • identificar pontos de bloqueio
  • padronizar sinais e comandos.

Em termos de inteligência aplicada, é a transformação de informação em procedimento, diminuindo dependências do improviso.

O detalhe do ensaio também sugere que a operação foi desenhada para ser rápida e decisiva, com objetivos claros e critérios de abortamento. Em missão de captura, isso tende a incluir roteiro de contingências (mudança de local do alvo, resistência, falhas de comunicação e necessidade de extração alternativa).

Mas a pergunta que fica? Como foram obtidos detalhes sobre o local da ação?

Técnica de Inteligência 2 – HUMINT de Proximidade (o uso de Fontes Humanas)

Humint é o acrônimo em inglês para Human Inteligence, ou, inteligência de fontes humanas. Um dos pontos mais citados pela Reuters foi a existência de uma fonte humana próxima ao círculo de proteção do alvo, capaz de oferecer dados e informações sobre movimentação e localização. Em operações contra alvos que variam rotina e usam camadas de segurança, HUMINT de proximidade costuma ser decisiva para reduzir os riscos da atividade operacional.

A mesma matéria menciona uma pequena equipe de inteligência no terreno, ativa desde meses anteriores, produzindo leitura do chamado padrão de vida. Isso inclui horários, deslocamentos, rotas prováveis, pessoas de contato etc. Quando bem-feito, esse mapeamento viabiliza uma janela de oportunidade com maior chance de sucesso.

Importante: fontes abertas não permitem inferir detalhes de recrutamento, cobertura, comunicação segura ou mecanismos de controle de risco. O que se pode afirmar é que, para sustentar uma ação operacional com extração, é improvável que a decisão tenha dependido de um único relato; o mais plausível é que HUMINT tenha sido cruzada com outras camadas de confirmação. Inclusive mais de uma fonte humana.

Técnica de Inteligência 3 – GEOINT/IMINT (Reconhecimento e Avaliação de Danos)

A cobertura da CNN Brasil, além de outras agências, citou imagens e comparativos de satélite sobre pontos atingidos, além de mapas e infográficos que localizaram ataques em Caracas e arredores. Ainda que parte disso seja apresentado ao público como jornalismo, o método por trás (localização, comparação temporal e validação de impactos) é próximo da disciplina GEOINT/IMINT: Inteligência de Imagens.

Em inteligência operacional, o reconhecimento por imagem ajuda em duas etapas: antes, para escolher acessos e entender o terreno; e depois, para a avaliação de danos, confirmando se alvos foram neutralizados e se há necessidade de novas ações. Para uma captura com extração, degradar rapidamente pontos de resistência pode ser tão relevante quanto o contato direto.

A existência de cobertura com antes e depois reforça que houve, ao menos, capacidade de observação e confirmação do que foi atingido. Isso não prova a fonte das imagens usadas pelos militares, mas indica que o ambiente informacional permitiu ver efeitos e ajustar interpretações em tempo curto.

Técnica de Inteligência 4 – SIGINT/COMINT e Negação de Capacidades (Comando e Controle)

Dentre as técnicas de inteligência, esta se trata de uma linha de ação que busca impedir, degradar ou interromper a capacidade de um ator adverso de adquirir, manter ou empregar determinados meios, sejam eles materiais, tecnológicos, organizacionais ou informacionais, necessários para executar uma ameaça.

Em outras palavras: em vez de se focar apenas em “o que o adversário pretende fazer”, o foco é reduzir a capacidade dele de fazer, mesmo que a intenção ainda não esteja totalmente clara.

Relatos sobre uma fase inicial de ataques em estruturas militares e pontos estratégicos sugerem um objetivo clássico: reduzir comando e controle, dificultar coordenação de resposta e limitar a capacidade de deslocar o alvo. Isso é coerente com operações em que se busca separar o alvo de sua rede de proteção e atrasar a reação organizada.

Mesmo sem detalhes públicos sobre interceptação, a ideia de negação pode ocorrer de várias formas: atacar infraestrutura crítica, saturar a capacidade de resposta, impor confusão temporal e reduzir a comunicação efetiva entre unidades. O efeito desejado e ganho de tempo para a equipe de assalto e para a extração.

Como limite analítico, fontes abertas não permitem afirmar se houve guerra eletrônica ou exploração técnica de redes. O ponto sustentável, pelo noticiário, é a lógica de degradar rapidamente a capacidade de resposta para tornar a captura viável dentro de minutos ou poucas horas.

Técnica de Inteligência 5 – Inteligência de Fontes Abertas – OSINT

A CNN Brasil informou que parte de suas análises se baseou em vídeos publicados em redes sociais para mapear ataques. Esse movimento evidencia como OSINT (inteligência de fontes abertas) influencia a consciência situacional: mesmo quando não é o Estado que coleta, a circulação rápida de registros públicos reduz a janela de ambiguidades.

O procedimento OSINT típico envolve coletar, verificar autoria e horário, geolocalizar, cruzar com outras postagens e comparar com dados de satélite ou imagens anteriores. A lógica é construir consistência por corroboração, não por uma única fonte.

Para inteligência estratégica, o impacto do OSINT é duplo: ele amplia transparência (o que pressiona justificativas) e acelera a disputa narrativa. Uma operação com alto custo diplomático tende a considerar essa dinâmica, porque o mundo vê e comenta em minutos.

Técnica de Inteligência 6 – Operações de Informação/Desinformação e Gestão de Narrativas

Logo após a captura, a mídia internacional enquadrou o evento em termos jurídicos e políticos, incluindo acusações criminais e justificativas. Em operações sensíveis, isso costuma ser parte do planejamento: consolidar o fato, reduzir incerteza, sinalizar determinação e influenciar audiências internas e externas.

Em paralelo, notas e declarações de especialistas ligados a ONU condenaram a intervenção como violação do direito internacional e da Carta da ONU. Esse contraste evidencia o campo central da disputa: a legitimidade. A batalha de narrativas não é acessória; ela define sanções, apoio diplomático, cooperação e estabilidade regional.

A existência de discussões sobre base legal, precedentes e memorandos internos (como noticiado pela imprensa) reforça que a narrativa jurídica foi tratada como eixo estratégico. Para inteligência, isso significa medir reações, mapear alinhamentos e calibrar comunicação para evitar isolamento diplomático e conter efeitos indesejados.

Conclusão

Somando os elementos reportados (planejamento, réplica do alvo, indícios de HUMINT próxima, fases coordenadas e disputa imediata de legitimidade), a operação aparece como um exemplo em que inteligência foi preponderante para a realização da ação americana em solo venezuelano. O resultado não depende apenas de força, mas da capacidade de reduzir incerteza no tempo certo: saber onde, quando e como agir e, posteriormente, sustentar o que ação perante audiências diversas. Para alcançar este cenário de redução de incertezas, a coordenação de diversas técnicas de inteligência foi crucial.

Ainda assim, fontes abertas tem limites. Elas ajudam a mapear pegadas (o que foi visto, dito e medido), mas não permitem reconstruir com precisão o que foi classificado. Por isso, as técnicas de inteligência listadas aqui devem ser lidas como as mais prováveis e compatíveis com o que foi publicamente reportado, não como confirmação de procedimentos internos.

Fontes utilizadas

Abaixo estão os principais materiais usados como base, todos públicos e acessíveis:

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