A Groenlândia, maior ilha do mundo, é um território autônomo dentro do Reino da Dinamarca, com pouco mais de 56 mil habitantes, esmagadoramente Inuit. Embora remota e de baixa densidade populacional, sua importância na política internacional e na segurança global tem crescido rapidamente, especialmente em razão de mudanças climáticas, recursos minerais e tensões entre grandes potências.
A Groenlândia foi inicialmente povoada por povos circumpolares há milhares de anos e, no final do século X, foi colonizada por vikings noruegueses liderados por Erik, o Vermelho.
Nos séculos seguintes, o território viveu períodos de abandono e reassentamento de presença escandinava. A Dinamarca‑Noruega restabeleceu controle permanente a partir do século XVII, e em 1814 passou exclusivamente para o domínio dinamarquês.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Groenlândia tornou‑se estratégica para os Estados Unidos enquanto a Dinamarca estava ocupada pela Alemanha, abrindo caminho para acordos de defesa que persistem até hoje.
A Groenlândia é um território autônomo dentro do Reino da Dinamarca, com um sistema de governo próprio. Em 1979 recebeu home rule (autonomia), e em 2009 ampliou seus poderes com o Self-Government Act, assumindo competências sobre educação, saúde e recursos naturais, entre outros.
O parlamento unicameral (Inatsisartut) e o governo local (Naalakkersuisut), liderado por um primeiro‑ministro, administram a maioria dos assuntos internos, enquanto Dinamarca controla defesa, relações exteriores e política monetária.
A Groenlândia cobre cerca de 2,16 milhões de km², dos quais mais de 80% são cobertos por uma camada de gelo permanente, colocando‑a no centro do sistema climático global.
Seu território se estende profundamente no Círculo Polar Ártico, entre o oceano Ártico e o Atlântico Norte, um eixo crucial que liga América do Norte, Europa e Ásia, com grande impacto em rotas marítimas emergentes.

A geografia impõe desafios massivos ao desenvolvimento de infraestrutura: estradas pavimentadas são quase inexistentes fora dos principais centros, e a maior parte do interior é inabitável devido ao gelo permanente.
A economia da Groenlândia ainda depende fortemente da pesca e produtos marinhos, que respondem por grande parte das exportações.
A Groenlândia possui vastos recursos minerais, incluindo:
Apesar desse potencial, as condições ambientais severas, infraestrutura limitada e preocupações sociais retardam o desenvolvimento em larga escala.
Além disso, a Groenlândia gera uma grande parte de sua eletricidade a partir de energia hidrelétrica renovável.
Historicamente, a Groenlândia sempre teve relevância militar e científica:
Os Estados Unidos mantêm uma presença militar de longa data em Groenlândia. A Pituffik Space Base, operada pela U.S. Space Force no noroeste da ilha, abriga sistemas de vigilância e detecção de mísseis integrados à defesa do continente norte‑americano desde 1943.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a ocupação americana consolidou a importância estratégica do território para proteger as rotas do Atlântico Norte, uma função que se estendeu à Guerra Fria e permanece relevante.
A Groenlândia está estrategicamente alinhada ao chamado GIUK Gap (Greenland‑Iceland‑UK), um corredor marítimo e aéreo crucial para o controle do Atlântico Norte. Este eixo é fundamental para a detecção de tráfegos militares e comércio, bem como para operações de submarinos e forças aéreas, particularmente em contextos de rivalidade com a Rússia.
Com a intensificação de debates sobre segurança no Ártico, o governo groenlandês e o da Dinamarca enfatizam que a defesa da ilha deve ocorrer por meio da OTAN, e rejeitaram propostas recentes de aquisição ou controle unilateral por parte dos EUA.
Estados Unidos
Segmentos da elite política americana argumentam que uma presença robusta em Groenlândia é essencial para confrontar atividades de adversários estratégicos no Ártico, sobretudo em termos de defesa aérea e marítima e acesso a minerais críticos indispensáveis para tecnologias avançadas de defesa e energia limpa.
Rússia e China
Enquanto a Rússia tem modernizado sua presença militar no extremo norte, incluindo bases navais e sistemas de defesa, a China, declarando‑se um “estado quase ártico”, desenvolve cooperações científico‑comerciais e busca uma posição de influência econômica e logística no Polo Norte.
O desgelo acelerado do Ártico abre novas rotas marítimas, como a Northern Sea Route e a Northwest Passage, reduzindo significativamente a distância entre mercados asiáticos, europeus e norte‑americanos, uma transformação relevante para comércio, logística e poder naval.

Com o degelo acelerado pelo aquecimento global, a Groenlândia se tornou um epicentro geopolítico:
Esse novo contexto coloca a Groenlândia no centro de rivalidades estratégicas, com governos e corporações avaliando novas parcerias, investimentos e acordos de exploração.
A Groenlândia, apesar de isolada e com baixa população, é um ponto nodal da defesa euro‑atlântica, um atalho econômico emergente e um potencial fornecedor de minerais essenciais. Sua combinação de posição estratégica, recursos naturais e relevância em sistemas de defesa integrada coloca‑a no coração da competição geopolítica contemporânea.
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